sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Querida Infância"

Que saudades que tenho dos momentos tão inocentes, sem medos, cheios de alegria e sonhos que tenho guardados em minha memória. Foi envolta nesses pensamentos que resolvi viajar no tempo escrevendo estas linhas. Segui rumo ao mundo encantado cheio de lembranças para encontrar com você doce infância.

Cheguei até a me perguntar:
- Se você pudesse viajar no tempo para que fase da vida voltaria? Mudaria alguma coisa?
Claro que sabe que minha resposta foi que voltaria a minha fase de menina alegre, sapeca, chorona que adorava passear na pracinha, brincar com as outras crianças nos balanços, nos escorregas, nas gangorras, dar pão aos patinhos no lago, catar joaninha e guardar na caixinha de fósforo, pegar flores no chão e guardar para dar para a vovó quando chegava a casa.

 Ah, quanta coisa que passa pela minha mente, vagas lembranças, momentos que passam. Consigo visualizar a linda praça com suas árvores, seu lago cercado de pedras e flores, onde hoje não tem mais nada disso.

Está toda cercada por grades e não tem mais os balanços e nem os patinhos.
Como o mundo mudou e trouxe com tristeza a violência gerada por pessoas que não tiveram a felicidade de ter um lar, uma infância, uma família que desse o amor necessário. Um amor que não custaria um tostão para hoje ser alguém na vida.

Respondendo se mudaria alguma coisa digo que não mudaria nada, nem uma vírgula, porque estou aqui saudável, feliz por ter construído uma linda família onde meus filhos viveram as suas criancices assistindo a Turma do Chaves, curtiram as suas brincadeiras na época do mundo do Pokémon lambuzando-se de biscoitos para colecionar os tazos. Uma infância com seus sonhos, suas alegrias e com muito amor também, mas sem a mesma liberdade que tive.

Agradeço muito que por ter superado todas as dificuldades que o mundo nos prepara, e muitas coisas mais que não importa porque o bom é que estou aqui escrevendo e falando um pouquinho de mim para você, minha querida infância, que faz recordar tanta felicidade.

Da eternamente criança


Rene Santos

44ªEdição Cartas
Pauta Bloínques
imagens Net

sexta-feira, 20 de maio de 2011

" Carta sem destino "


Ao mar

Escrevo esta carta com o único objetivo de aliviar um pouco esse meu sofrimento, essa minha interminável luta para arrancar de mim, de uma vez por todas, esse vício que não me larga.

Sou jovem e meu maior desejo é voltar a estudar, trabalhar em busca de um futuro melhor, conseguindo ter uma vida digna e saudável.

Maldita a hora que iniciei neste mundo das drogas ainda tão jovem e jamais imaginei onde elas poderiam me levar, não pensei que iria chegar ao fundo do poço destruindo a minha vida e de minha família. Achei que podia me controlar, que só estava experimentando e que não me viciaria. Doce ilusão.

Passei a ser uma dependente química me autodestruindo e quero sair desse pesadelo, dessa angústia que me consume. Sei que se continuasse o que me restaria mais a frente era o caminho que me levaria à morte.

Precisei muito de ajuda e com o apoio de minha família consegui me recuperar após alguns meses de isolamento internada em uma fazenda para recuperação de dependentes químicos.

Assim que voltei para casa estava ótima e imaginando que nunca mais sentiria vontade de usar drogas, mas isso não está acontecendo. Sei que estou desintoxicada, tenho uma vida com boa alimentação, pratico esportes e estou bem fisicamente.

Só que estou de volta ao mesmo lugar, encontrando os mesmos amigos e isso não está sendo bom. Sinto nascer dentro de mim aquele fogo, aquela tentação, aquela sede por esta droga dos infernos.

Preciso ser forte para não ter uma recaída. Sei que a minha cura depende exclusivamente de mim, da minha força de vontade e tenho que vencer essa batalha comigo mesma todos os dias.
Diariamente ao nascer do sol venho para a praia fazer a minha caminhada na areia, respiro esse ar, sinto o cheiro do mar que me enche de energia para esquecer de tudo e conseguir vencer esse mal.

Sempre ao caminhar encontro garrafas fincadas na areia e foi olhando para elas que me veio a vontade de escrever cartas contando as minhas aflições diárias e hoje segue a primeira de muitas que levarão consigo, para bem longe, esse mal que está aqui dentro de mim.

Amanhã será outro dia, outra garrafa encontrarei e mais uma carta escreverei entregando ao mar que, mesmo sem destino, irá atravessar os mares e em algum lugar irá pousar.

Se em algum lugar alguém a encontrar leia com atenção, reze pela minha recuperação e saiba o grande mal que as drogas fazem.

Saiba que muitas outras cartas seguirão e não sei aonde irão chegar, mas tenho a certeza que passará um dia que se multiplicará e logo, será um mês, um ano, uma nova vida! Este é o milagre que espero de uma nova vida sem drogas.

Aqui me despeço esperando chegar amanhã neste mesmo lugar.

Diva

RSantos
43a. Edição Cartas
Projeto Bloíquês

sexta-feira, 13 de maio de 2011

"Os dois lados da minha vida"


Rick


É tão bom ouvir sua voz me dizendo que vem me ver e, mesmo que seja por pouco tempo, a felicidade toma conta do meu coração.

Escrevo esta cartinha para dizer-lhe o quanto te amo, mas que esse pouco que posso ficar com você agora já não me satisfaz.

Esses momentos em que estamos juntos, que trocamos carinhos, que nos amamos intensamente me fazem delirar. Como seria bom se o tivesse conhecido um tempo antes e que tudo fosse diferente. Que o pudesse amar livremente e dizer a todos os cantos que você é o grande amor da minha vida.

São tão poucos os momentos que passamos juntos que procuro guardar cada detalhe para que possa suportar o tempo que ficamos sem nos tocar onde sinto muito a sua ausência.

Esse nosso amor proibido tem me deixado muito triste e não quero mais ter você só quando pode vim me ver. Cansei de ser a outra e receber só migalhas desse amor.

Quero ser a única na sua vida e que seja exclusivamente meu e se isso não for possível é melhor colocar um ponto final.

Não quero ter esses dois lados em minha vida. Um que estou super feliz ao seu lado e o outro em que me sinto péssima e sem vontade para nada. Fico arrasada sentindo um sentimento de culpa, um vazio, uma sensação de derrotada.

Acordei a tempo de poder enxergar que a minha vida é muito preciosa e posso estar sofrendo agora, mas logo vou estar bem e lutando pelo meu lugar ao sol.

Tenho conseguido outras realizações no lado profissional que tem me feito muito bem, mas sei que vai chegar um dia que vou querer ter um lar, filhos e para isso tenho que ficar livre desse amor impossível. Para mim agora é 8 ou 80 . Se não posso ter você totalmente para mim então não quero nada.

Escrever esta carta dizendo isso tudo pode parecer bobeira, mas estava com vontade de colocar no papel tudo que sinto e coloquei para fora tudo que estava guardado no meu coração.

Estarei bem e seguindo meu caminho em busca da minha felicidade e da realização dos meus sonhos de mulher e na certeza de que esta minha decisão vai ser boa para nós dois. A vida é uma caixinha de surpresas e nunca sabemos o que nos espera no amanhã.

Adeus para sempre

Isa


RSantos
42a. Edição Cartas
Pauta Bloínquês











imagem google

sexta-feira, 6 de maio de 2011

" DIVIDINDO A DOR DE UM SEGREDO "

Querida prima Cláudia




Espero que estejas aproveitando bastante o teu estágio aí nesta Cidade Maravilhosa. Como até agora não recebi notícias tuas acredito que trabalhar e estudar está te tomando o tempo todo. Como está sendo o estágio na Agência de Turismo?

Prima estou aqui sentindo a tua falta e precisando da tua ajuda. Preciso muito dividir um segredo contigo que está me sufocando.

Ontem quando cheguei da faculdade como sempre entrei pela garagem com a bicicleta. Acabei chegando bem mais cedo do que o costume porque dois professores haviam faltado devido às fortes chuvas.

Quando entrei vi o papai aos beijos e abraços com outra mulher dentro de casa. Fiquei tão atordoada e assustada que não sabia para onde ir.

Sem que ele percebesse que eu estava ali e visto a cena sai correndo na chuva e fiquei encolhida debaixo de uma árvore que havia no quintal atrás da casa.


Não podia ficar parada ali debaixo daquela árvore esperando a mãe chegar e me ver naquele estado.

A chuva começou a varrer a rua devagar, o asfalto já estava molhado e eu tinha que pegar a minha bicicleta e a capa de chuva que estavam na garagem, contudo eu estava receosa de ser vista, mas resolvi arriscar.

Tive a idéia de ir para a tua casa e pedir a tua mãe para ficar por lá até a chuva melhorar. Fui para o teu quarto e acabei pegando no sono só indo embora hoje pela manhã.

Meus pensamentos disparavam e só conseguia pensar na mamãe que naquela hora estava lá na Fábrica dando um duro danado, trabalhando para poder ajudar nas despesas da casa.

Você sabe muito bem como é a nossa vida minha prima e o papai com certeza saiu mais cedo do seu trabalho lá na Usina para ter chegado mais cedo em casa. Que eu tenha tido conhecimento ele nunca fez isso antes.

Tenho me questionado com tantas perguntas. O que será que está acontecendo com o casamento deles? Porque o papai agiu dessa forma sujeitando a nossa família a passar uma vergonha dessas? A cidade é pequena, todos aqui se conhecem e logo esse assunto será fofoca no Bar do Raul.

A realidade é que eu teria que viver com esse segredo por resto da vida. Como poderia ter coragem de conviver com essa situação, de olhar para papai sem dar a perceber a minha indignação e revolta, de olhar para mamãe sem que ela notasse que eu estava triste e diferente.

Por isso que estou te escrevendo e pedindo a tua ajuda. Preciso de um tempo para organizar os meus pensamentos e tomar as decisões certas e sem me precipitar.

A única saída que encontrei foi de ir morar contigo e correr atrás de algum estágio para poder sair de casa e lutar pela minha independência.

Assim não preciso ficar convivendo com essa situação usando uma máscara o tempo todo. Por outro lado vai ser bom para os meus pais estarem sozinhos. Isso faria com que se dedicassem mais um ao outro onde muita coisa poderia mudar neste casamento que a meu ver já acabou.

Espero ansiosa a tua resposta para preparar tudo e me encontrar contigo o mais rápido que puder.

Beijos desta tua prima que te perturba, mas te ama muito

Susana



RSantos
41a. Edição Cartas
Pauta para Bloínquês